Bem, meu desejo era passar a noite de São João no interior do Nordeste, qualquer cidadezinha ou sítio bastaria pra me fazer feliz, desde que tivesse uma fogueira, um trio pé-de-serra tocando forró e comidas típicas.

Porém mais uma vez eu ficarei na capital paraibana me lembrando de quando eu era pequeno e João Batista (meu avô) comprava um saco de fogos pra eu soltar nessa noite.

“Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.”

Alberto Caeiro [12/04/1919]

Cid Gomes e o Presidente Lula (Foto do http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/)

Lula disse hoje em coletiva de imprensa em Fortaleza, que não decidirá sobre candidaturas ao senado no Ceará. Com essa declaração, ao contrário do que disseram alguns veículos da imprensa cearense, Luis Inácio não deu aval a Cid Gomes para este apoiar que quiser. O Presidente apenas não interferiu, pois sabe que o PT do Ceará já está tratando desse impasse e permanecerá forte e irredutível no tocante a candidatura de José Pimentel ao Senado, e ele, o presidente, não precisa se desgastar em mais um entrave de coligação estadual.

Cid, que se reuniu com 54 diretórios do PSB do estado, recebendo apoio da maioria em favor de Eunício Oliveira e Tasso Jereissati nas vagas de senadores da chapa, não vai impor ao PT a sua vontade. O Partido dos Trabalhadores está com José Pimentel e não abre mão dele. Não são forças isoladas que sustentam a candidatura petista ao senado e sim todas as forças e a militância do estado.

Lula não precisa falar para sabermos do seu apoio a Pimentel.

E o desespero bate à porta de Zé Serra.

O barco da candidatura tucana ao Planalto, mais conhecido como Serranic, está fazendo água e corre sérios riscos de afundar no meio do caminho, ou ser ultrapassado pela canoa de Marina Silva.

Serra, que não é um candidato popular, não é simpático, não sabe agregar forças para uma disputa política, até o presente momento não possui nem sequer um vice. O que começa a desesperar o PSDB. Partido e candidatura parecem que saíram dos eixos, e ninguém mais sabe qual discurso adotar, não sabem se devem atacar Lula, o PT, Dilma. Não sabem nem o que prometer ao eleitor. Zé Serra já prometeu Ministério da Segurança, Bolsa Adolescente, desqualificou o Mercosul e já deu indícios que se ganhar vai ter problemas diplomáticos com nossos vizinhos Bolivarianos.

O que os tucanos tentam agora é substituir o debate político, pelo disse me disse de um suposto dossiê feito pelo PT, onde a podridão de Serra e seus aliados viria à tona. O candidato peessedebista acusa Dilma de ter feito o dossiê, esta, por sua vez, nega que esse documento exista.

O fato é que essa acusação do PSDB contra o PT só mostra o desespero e a falta de propostas da oposição. A picuinha só serve para dar tempo aos tucanos, para que estes possam dar sustentação à candidatura bamba deles.

Serra, o exterminador do futuro, o anti-povo.

O caso do candidato tucano à presidência é bem complicado. Com sua candidatura perdendo força, ele se vê obrigado a mudar de estratégia de campanha. Mas a qual estratégia aderir? A situação de Serra é delicada, ele tem que abandonar o “lulismo” que vinha adotando no seu discurso do “Pós-Lula”, pois essa tática de não atacar o petista não estava surtindo efeito. Porém se começar a atacar o governo mais popular que este país já teve, a candidatura ainda assim não deslancha, pois Lula é quase imaculável para o povo, e um discurso contra ele poderia soar como um discurso “anti-povo”.

Luis Inácio, por sua vez, passa a cada vez mais associar a sua imagem à de Dilma, no claro jogo de fazer com que os eleitores assimilem que Lula é Dilma e Dilma é Lula. O Presidente faz isso sem temer qualquer desgaste à sua imagem. O cara escolheu Rousseff e fará campanha para ela abertamente, com ele mesmo disse essa semana, se for necessário subirá em carro de som pra pedir votos. Disse ainda que ao presidente não é impedido fazer campanha, apenas este tem que respeitar a lei eleitoral.

Dilma, a cada dia mais é conhecida como “a muié do Lula”, as ultimas pesquisas mostram um empate técnico entre a petiste e o tucano, e no PT já se fala em uma pesquisa que mostra ela com 6 % na frente dele. A Serra, resta apenas difamar Rousseff. Já que se falar mal do Presidente do povo será visto como o “Candidato anti-povo”, o que ele realmente é.

Verônica Allende Serra, filha do candidato tucano à presidência.

Não sabemos ao certo se a relação entre as Verônicas existe. Mas coincidência é algo que não acredito muito. Poderia até dizer como Sancho Pança, “Non creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

O fato é que um dossiê contra os tucanos estaria sendo organizado para provar a ligação entre José Serra e o Banqueiro Daniel Dantas, ou melhor, a ligação entre Verônica Dantas, irmã de Daniel, e Verônica Serra, filha do ex-governador.

Daniel Dantas e a irmã são supostamente envolvidos em crimes financeiros e corrupção. E uma empresa, a Decidir.com, aberta em Miami com filiais em outros países, que tem como sócias as Verônicas seria um prato cheio para manchar a candidatura do tucano.

Verônica Serra, diz que não é sócia e sim membro do conselho da empresa, e que foi nomeada pelo fundo de investimentos do qual faz parte. Afirma ainda que nunca viu a irmã do banqueiro, e nunca trocou palavras nem por telefone, nem por e-mail, nada. O certo é que o nome das duas aparece em documentos da empresa como este do Departamento de Estado da Flórida.

Fica a dúvida no ar. A filha do candidato tem ou não ligações estreitas com os Dantas?

Serra em aula com o Exteminador do Futuro

Nem todos possuem a capacidade de ser um Estadista como Lula. Serra por exemplo demonstra ser um fiasco total em política externa. Depois de ter classificado o Mercosul como uma “farsa”, e nesta mesma semana ter afirmado que o governo boliviano de Evo Morales é “cúmplice” do tráfico de drogas, Zé Serra demonstra que não entende coisa alguma sobre relações exteriores.

As declarações do tucano irritaram o Assessor Especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, “O Serra está tentando ser o exterminador do futuro da política externa. Ele quis destruir o Mercosul. Agora, quer destruir nossa relação com a Bolívia. O Mahmoud Ahmadinejad virou Hitler. Eu acho que talvez ele esteja pensando, na política de corte de despesas, em fechar umas 20 ou 30 embaixadas nos países nos quais ele está insultando neste momento”, afirmou.

Em sua desesperada tentativa de ser o “Pós-Lula”, Serra está se transformando no “Anti-Lula”, tentando destruir com declarações infelizes o que Luiz Inácio levou 8 anos, colocando o Brasil numa posição respeitável no cenário internacional e transformando o país num líder natural da América do Sul.

José Serra é um candidato fraquíssimo. Ele não empolga, não sabe fazer alianças, é antipático e sua candidatura já nasce com a estagnação pré-determinada.

Se Dilma tem seus defeitos como candidata, Serra é muito pior, por já ter em seu currículo um número vastíssimo de eleições, ele deveria se sobrepor, falando menos besteira, cativando mais o eleitorado e sabendo costurar melhor os seus palanques nos estados.

Porém o que acontece é uma verdadeira trapalhada. Serra entrou tarde na disputa, sem um vice e sem o apoio unânime do seu partido. O trapalhão, agora se desespera e tenta, ridiculamente, consegui apoio no PMDB, que tem a vaga de vice na chapa de Dilma. Em sua última visita ao Rio Grande do Sul, o tucano apareceu de forma muito apagada para um candidato, escanteou o seu próprio partido e tentou flertar com o namorado alheio (PMDB). Já no Ceará, buscou a proteção de Padim Ciço, numa recente admiração pelo Padre dos Nordestinos. Não duvido da fé do candidato, apenas soa estranho para uma pessoa que acha “normal” viver com nordestinos, vir agora cheio de boas intenções e devoção, esbanjando sorrisos.

Nas últimas pesquisas eleitorais os dois candidatos aparecem numericamente empatados, e nas melhores estimativas a candidata do PT aparece com dois pontos à frente. É a candidatura de Dilma deslanchando e a estagnação da de Serra se consolidando.

Com Tasso Não Dá

22/05/2010

Cid Gomes levando Tasso para dar uma voltinha em Sobra, Ceará. (Foto: Bené Fernandes)

O Governador Cid Gomes, insiste em apoiar a candidatura do Senador Tasso Jereissati, afirmando que seu compromisso com Lula é apenas apoiar Dilma e reservar a vaga de vice da sua chapa para o PT, e deixando de fora o Dep. José Pimentel, que pretende pleitear uma vaga de senador.

Porém participar de uma chapa que apóia Tasso para o senado é um tanto demais para o Partido dos Trabalhadores. Com objetivos escusos por trás do apoio de Cid ao tucano, muita água vai rolar até a data limite para a definição das chapas. O PT já se articula para pressionar o governador e fazer valer a sua vontade.

Resta então saber o que pesará na hora da decisão. Um palanque sólido para Dilma no Ceará, ou mais uma vaga no senado que permitirá à petista governar com mais tranqüilidade? Cid tem a máquina nas mãos, porém rachando com o PT e tendo um adversário concorrendo ao Palácio de Iracema que seja apoiado por Lula, a coisa pode mudar e muito. Para Luiz Inácio a missão mais difícil é eleger Dilma, e agora, quando a candidata aparece empatada e até na frente das pesquisas, fazer o governador do Ceará é café pequeno.

Abra o olho, governador!

Pra lá de Teerã

21/05/2010

O presidente do Líbano, Michel Sleiman, ligou parabenizando Lula pelo acordo com o Irã. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A questão do Irã está entre as principais pautas da imprensa nacional e internacional nesta semana. Alguns veículos abordam o acordo do Brasil, Turquia e Irã, que pretende levar o assunto às mesas de negociação. Já outros, abordam o acordo do P5 + 1 (Os cinco países que têm cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha) que prevê uma nova rodada de sanções contra os iranianos.

O acordo mediado pelos emergentes Brasil e Turquia é tratado com ceticismo pela imprensa. Pois, em contrapartida a este acordo, as grandes potências entraram com um pedido de sanção contra o governo de Ahmadinejad na ONU.

O pacto defendido pelo presidente Lula, que busca a negociação, perde força quando as grandes potências se posicionam contrárias ao diálogo e querem terminantemente fechar o cerco.

Lula, porém, não tem o que perder nessa história, muito pelo contrário. Qualquer que seja o final ele sairá ganhando. Se por acaso o acordo dos emergentes lograr êxito, ele sairá triunfante da sua empreitada no oriente. E mostrará para o mundo o seu poder de negociação. Entretanto, deixando esse sonho um tanto de lado e alimentando um outro, se o acordo de sanção dos países do Conselho de Segurança sair vitorioso, o Presidente brasileiro não terá fracassado totalmente. Nessa tentativa de levar o Irã às mesas de negociação com o mundo, Luis Inácio se projetou mais ainda no cenário internacional e se mostrou uma ótima alternativa para ocupar em 2011 a vaga de Secretário Geral da ONU, cargo que tradicionalmente é dado aos países de terceiro mundo. Com sua vasta experiência nas questões sociais e no combate a fome. Lula seria um Secretário Geral mais que perfeito.

Percebemos, então, que nem tudo está perdido, caso a missão brasileira fracasse de início. As intenções do governo brasileiro estão “pra lá de Teerã”, como diria Caetano Veloso.

Margarida-do-Campo

13/05/2010

Casa onde morou Margarida Maria Alves. Hoje funciona um memorial em sua homenagem

É chegar em Alagoa Grande, na Paraíba, e ouvir falar em Margarida Maria Alves. Mas quem foi ela? Foi movido pela curiosidade que fui atrás de conhecer a história desta mulher.

Margarida foi uma líder sindical que militou em prol dos trabalhadores rurais. Nascida no sítio Jacú em 05 de março de 1932, no município alagoagrandense, entrou para o sindicalismo ao conhecer o Presidente do Sindicato, Severino Cassimiro, com quem se casaria futruramente.
Para os que a conheceram, margarida era uma mulher destemida e apaixonada pela causa que defendia. Batalhava para garantir melhores condições de trabalho no campo. E como boa parte dos líderes sindicais da época, foi perseguida e assassinada brutalmente, com um tiro de espingarda calibre 12 no rosto, na sala de casa, ao abrir a porta para alguém que batia chamando por ela. Eram seis horas da noite do dia 12 de agosto de 1983, e logo após o disparo, toda a cidade se apagou numa, talvez proposital, queda de energia. Maria estava na sala com o marido, e seu filho jogava bila na rua com os amigos.

Hoje é possível encontrar um pouco sobre a história da mártir alagoagrandense, num memorial em sua homenagem, situado na casa em que ela morava e onde foi morta. E, se tiver sorte, ainda se encantar em uma conversa com Seu Cassimiro, viúvo de Margarida, que mora vizinho à sua antiga casa.

No auge dos seus 90 anos, Seu Cassimiro recebe maravilhosamente bem aos que lhe procuram para saber mais da vida de sua falecida esposa. Paciente e com um sorriso pronto para ser solto à menor deixa, o senhor de fala lenta, pede desculpas pelo esquecimento que lhe afeta. Mas sua receptividade, disposição e idade já lhe dão aval suficiente para esquecer sem o menor constrangimento.

Ao ser perguntado se a culpa de Margarida ter entrado na luta era dele, o senhor de 90 anos sorri, afirmando que não só a ex-esposa, mas também Dona Ana, a sua atual mulher, entrou no sindicato por sua causa.

A razão de Maria era a luta pelos direitos dos trabalhadores do campo. Foi por defendê-los que ela morreu. E a morte transformou a líder em mártir, heroína do lugar.

“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”
(Margarida Maria Alves)

Margarida Maria Alves