Margarida-do-Campo

13/05/2010

Casa onde morou Margarida Maria Alves. Hoje funciona um memorial em sua homenagem

É chegar em Alagoa Grande, na Paraíba, e ouvir falar em Margarida Maria Alves. Mas quem foi ela? Foi movido pela curiosidade que fui atrás de conhecer a história desta mulher.

Margarida foi uma líder sindical que militou em prol dos trabalhadores rurais. Nascida no sítio Jacú em 05 de março de 1932, no município alagoagrandense, entrou para o sindicalismo ao conhecer o Presidente do Sindicato, Severino Cassimiro, com quem se casaria futruramente.
Para os que a conheceram, margarida era uma mulher destemida e apaixonada pela causa que defendia. Batalhava para garantir melhores condições de trabalho no campo. E como boa parte dos líderes sindicais da época, foi perseguida e assassinada brutalmente, com um tiro de espingarda calibre 12 no rosto, na sala de casa, ao abrir a porta para alguém que batia chamando por ela. Eram seis horas da noite do dia 12 de agosto de 1983, e logo após o disparo, toda a cidade se apagou numa, talvez proposital, queda de energia. Maria estava na sala com o marido, e seu filho jogava bila na rua com os amigos.

Hoje é possível encontrar um pouco sobre a história da mártir alagoagrandense, num memorial em sua homenagem, situado na casa em que ela morava e onde foi morta. E, se tiver sorte, ainda se encantar em uma conversa com Seu Cassimiro, viúvo de Margarida, que mora vizinho à sua antiga casa.

No auge dos seus 90 anos, Seu Cassimiro recebe maravilhosamente bem aos que lhe procuram para saber mais da vida de sua falecida esposa. Paciente e com um sorriso pronto para ser solto à menor deixa, o senhor de fala lenta, pede desculpas pelo esquecimento que lhe afeta. Mas sua receptividade, disposição e idade já lhe dão aval suficiente para esquecer sem o menor constrangimento.

Ao ser perguntado se a culpa de Margarida ter entrado na luta era dele, o senhor de 90 anos sorri, afirmando que não só a ex-esposa, mas também Dona Ana, a sua atual mulher, entrou no sindicato por sua causa.

A razão de Maria era a luta pelos direitos dos trabalhadores do campo. Foi por defendê-los que ela morreu. E a morte transformou a líder em mártir, heroína do lugar.

“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”
(Margarida Maria Alves)

Margarida Maria Alves

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: